terça-feira, 1 de setembro de 2015

Quem tem medo do colesterol?

Durante anos, fomos aterrorizados sobre níveis de colesterol! O colesterol mais cedo ou mais tarde iria nos matar! Que precisávamos comer Becel para controlar o colesterol; ovo, só uma vez por semana! 

O colesterol é uma substância indispensável para nosso organismo, está presente em cada célula do nosso corpo, que o produz incessantemente, e cumpre funções caríssimas em nosso organismo. Por exemplo, sínteses de hormônios, produção de bílis, construção e manutenção das membranas celulares. 

Aí, eu te pergunto: por que essa obsessão de se manter níveis baixos de colesterol no sangue?!

Vamos resumir a história: as placas que causam obstruções das artérias (os ateromas) são feitas, principalmente de gordura. Então, o raciocínio era óbvio: quanto mais gordura no sangue, maior o risco de se desenvolver um ateroma, certo?! Então, vamos baixar os níveis de colesterol e diminuímos o risco de entupimento dos vasos sanguíneos! EUREKA!
 
Só que a coisa não é tão simples assim. Os depósitos de gordura estão ali tentando conter uma lesão originada por processos de inflamações sistêmicas. Quanto maior o nível de inflamação, mais o colesterol vai se depositar ali pra conter a lesão. Fazendo uma comparação simples, seria como se culpassem os bombeiros pelos incêndios, ao se verificar que onde havia algo pegando fogo, lá estavam os bombeiros também! Malditos bombeiros incendiários!

Assim, o que se precisa combater é o processo inflamatório e não os níveis de colesterol, que se regularão automaticamente com o mesmo mecanismo que se regula a inflamação sistêmica do nosso corpo. E já sabemos que mecanismo é esse: comida!

Alimentos ultraprocessados, ricos em farinha e açúcar refinados, em aditivos, corantes, conservantes, acidulantes, aromatizantes, etc., são responsáveis por toda uma sorte de desequilíbrios metabólicos, que levam a inúmeras reações indesejáveis: alergias, intolerâncias alimentares e, sim, as mais diversas inflamações em nosso organismo. 

Quando se orientou a população a fazer uma dieta pobre em gordura saturada por medo do colesterol, para se conseguir a mesma textura, consistência e sabor dos alimentos, acrescentou-se gorduras insaturadas hidrogenadas (gordura trans) e amido; hoje, sabe-se do potencial inflamatório desse tipo de gordura. Já o amido, vira açúcar simples, e o excesso de açúcar simples vira gordura!

Trocaram-se os ovos pelo sucrilhos! O bacon pelo leite desnatado! A manteiga pela margarina! E o que aconteceu: uma população cada vez mais doente. E os ataques cardíacos, diminuíram?! Busquem as estatísticas. Nesse artigo da Universidade da California, demonstra-se que 75% dos pacientes hospitalizados por ataque cardíaco tinham níveis de colesterol dentro dos limites recomendados! 

Ou seja, escolheram o inimigo errado e todos nós perdemos a guerra.

E você ainda se pergunta por que é que a sua bisavó, que só comia banha de porco, viveu mais de 100 anos e morreu de velha... A resposta é tão óbvia: porque comia comida de verdade!




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